Eu falo sozinho.
Podem achar estranho, mas quando eu digo que falo sozinho, eu falo e me respondo e faço isso quase que o tempo todo. Faço isso em casa, no serviço e na rua também.
Podem achar estranho, mas eu acho isso perfeitamente normal e um modo de me ajudar de forma incrível. O fato de falar sozinho não significa que eu seja louco, na verdade, simboliza a união perfeita de duas pessoas: O meu EU Real e o meu EU Irreal.
O meu EU Real é aquele que sou eu. Aquele EU que vive o que eu vivo, que sofre na pele o que eu sofro, o meu EU Real sou eu. Aquele cheio de coisa na cabeça que nunca sabe o que fazer, aquele que todos os dias tem que pensar em várias coisas e cuja mente é tão lotada que precisa falar, sempre. Mas falar com quem?
Eis que surge o EU Irreal. Esse é o EU que não está lá fisicamente, apenas mentalmente, espiritualmente e psicologicamente, esse é o eu equilibrado de minha vida e é com ele que eu converso. O meu EU Irreal é capaz de analisar a minha situação como um todo. E quem me conhece melhor do que eu mesmo? O meu Eu Irreal.
Alguns dizem que é coisa de maluco, mas não vejo o menor problema nisso, aliás, conversar comigo mesmo já me rendeu boas risadas e vários momentos de auto-reflexão.
Se tiver alguém aí lendo esse texto, eu sugiro que fale sozinho mais vezes. É um alívio poder conversar com alguém que te entenda sem te julgar, com alguém que irá te amar não importa o que você faça. Na verdade, conversar sozinho foi o que me ensinou a ter amor próprio, algo que parece tão fácil, mas na verdade é tão difícil pra mim.
Nunca realmente me amei e até hoje tenho minhas dúvidas. Me amar não é fácil, sou chato, sou insuportável, sou fresco, sou instável, sou teimoso, sou humano. Acho que depois de tantos anos consegui adquirir um certo amor próprio suficiente para descobrir verdadeiramente o que é o amor. Não sei se o encontrei ou não, mas definitivamente descobri o que é o amor. O amor, antes de mais nada, é amar a si próprio antes de amar qualquer outra coisa, o amor é saber que você pode contar com você mesmo, pois você nunca fará o pior para si. O amor é a forma pura e lapidada do egoísmo. Sim.
Amor é ser egoísta e tudo depende do ponto de vista. Às vezes você será egoísta para consigo e às vezes será egoísta para com o próximo. Porém, não importa a forma de egoísmo, o amor é ser egoísta.
Viu só? Falar sozinho por todos esses anos me ensinou o que é o amor, coisa que nenhum grande poeta, nenhum grande escritor conseguiu fazer em anos. Talvez, você consiga entender o que é amor através desse texto, mas só vai compreender o que é o amor, quando falar consigo mesmo, pois falar consigo mesmo é ouvir o coração e debater com a razão.