segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Carol

Como se pode definir em palavras um sentimento? Não importa qual o sentimento, será possível defini-lo através das palavras? Eu sempre fui um defensor das palavras, pois não importa o quão estranho algo seja, palavras sempre podem descrevê-las.
Eu nunca fui de dizer eu te amo para os meus amigos, apesar de considerar isso um ato belo. Eu nunca fui de abraça-los e nem de ser extremamente agradável.  Não sou assim com as pessoas. Mas você não é uma pessoa qualquer, não é mesmo? Você é a “minha pessoa”. Eu já disse isso antes, mas gosto de repetir. Existe um único ser humano nessa terra quem dou ouvidos e essa pessoa é você, Carol.
Não lhe abraço, é verdade, mas o que dizer? Você também gosta de abraços. Não digo que te amo o tempo todo, mas fazer o que? Não temos esse tipo de amizade, não, temos um nível de amizade tão forte que brigamos (ou discutimos, me soa melhor) todos os dias e ainda assim, continuo a revelar todos meus segredos unicamente a você.
Sempre me gabei por dizer que ninguém sabia tudo sobre mim, que eu conto uma parte para cada pessoa, mas esse dia chegou ao fim, você é a única pessoa que sabe tudo e, arrisco ainda dizer que, é a única pessoa do mundo que me conhece tão bem ao ponto de eu não precisar falar para você saber o que se passa. Sinto orgulho de ser seu amigo, de verdade verdadeira.
Você é uma pessoa chata, de verdade, e sei que você vai interpretar isso de forma negativa, mas são as suas chatices que me encantaram. Você tem o incrível poder de sempre vencer e isso me irrita, mas me agrada. Digo que agrada, pois você está mesmo quase sempre certa (quase sempre significa sempre).

Dentre todas as pessoas do mundo, dizia minha mãe, você era a última pessoa do mundo pela qual eu criaria algum tipo de afeição. Até hoje não entendo o motivo disso. Somos feitos um para o outro, no sentido da amizade eterna. Sei que às vezes te desaponto com minhas idiotices e escolhas estupidas, com minha criancice e meu temperamento extremamente bem humorado. Dentre todas as coisas que tanto quero nessa vida, a primeira dela é nunca perder sua amizade, o conforto do seu sorriso, o tom de sua voz ao brigar comigo, seu poder de persuasão que me levou ao bar e me fez beber bebida alcoólica, o seu afeto e o carinho que sei que você sente por mim. Não estou sendo convencido, estou apenas citando fatos, você me ama e eu sei disso. Que você saiba que você é única na minha vida e sempre será e não importa o tempo e nem as razões que possam nos afastar, você terá sempre um lugar no meu coração.  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vida de um Autoimune

Tenho uma doença autoimune. Uma doença autoimune é uma doença que faz com que meu corpo lute contra ele mesmo. Os soldados que deveriam me proteger, acham que sou uma ameaça e me atacam. Isso é engraçado dentro do contexto apresentado. Veja bem, eu não sou uma pessoa que escolhe as coisas facilmente e vivo em confronto comigo mesmo. Eu sou autoimune.
Tenho uma tendencia enorme a me sabotar quando sei que estou perto de ser feliz plenamente. Eu deveria me defender com todas as forças da infelicidade, ma seu vejo a felicidade e penso que ela é uma inimiga, então a ataco. Uma vez, em um texto, eu disse que havia criado uma teoria em que eu não nasci para ser feliz, essa teoria continua uma teoria, mas ela se encaixa no quebra cabeça de hoje.
No período da tarde conversava com meus amigos sobre meu probleminha de saúde, a Artrite Reumatoide Idiopática, ou como gosto de chama-la, Artie. Enfim, estávamos conversando sobre Artie e me fizeram perguntas sobre dor, onde dói e etc e tal. Ao chegar em casa meu dedo estava inchado, ou seja, de um tamanho normal já que meus dedos são extremamente finos. E então eu notei que havia respondido errado, não me dói o dedo, mas a alma. Minha mãe diz que existem pessoas com a mesma doença que eu, mas em estado pior, sei que vai parecer meio egoísta, mas eu não ligo. Eu me importo com o que eu estou sentindo e nesse momento é raiva. Tenho raiva de ter sido escolhido para portar essa doença e tenho raiva de nunca ter desabafado com ninguém o quanto ela me fere por dentro. A dor que ela causa aos meus dedos não são nada comparadas à dor que sinto em meu coração ao pensar no meu futuro. Não digo que se um dia eu parar em uma cadeira de rodas que minha vida simplesmente vai acabar, mas digo que vai doer. Eu corro o tempo todo e me sinto bem quando faço isso, livre.
Descobri a Artie quando tinha meus quatorze anos de idade e desde então minha vida sofreu pequenas alterações, como não conseguir abrir uma garrafa de refrigerante ou colocar as calças para ir à escola. Aos quinze anos, eu me trancava no banheiro e chorava todas as noites, mas não choro mais. Aliás, notei que sou quem sou hoje, devido minha condição. A Artie me fez aprender a criar piadas, me fez encarar a vida de uma forma tão bela que eu quase agradeci por ter a doença. Será então que minha raiva é pelo fato de eu ser, em partes, grato à essa doença?
Artie também é uma doença degenerativa, o que significa que vou me degenerando conforme o tempo passa, ou seja, vou ficando deformado. Acho que sou um ser degenerativo, pois tenho outra doença degenerativa que se chama amor. O amor de destrói e me corrói. Juro que tentei não transformar isso em um texto de amor, mas a vida não é basicamente isso? Amor? Pois bem, o amor me degenera, cada vez que amo, meu coração se quebra um pouco. Não é que eu queria que ele se destrua, mas é só o meu corpo lutando contra ele mesmo, me transformando em um ser novo, me degenerando de forma nada peculiar. Uma menina linda me disse hoje que sentia algo por mim e eu sentia, ou ainda sinto, algo por ela. Meu medo me impediu de falar com ela e a dedução incorreta dela a fez encontrar um novo amante. Mais uma prova da autoimunidade de minha vida, eu me boicotei. Sabia que ela sentia algo por mim, mas preferi ficar quieto. O meu silêncio é minha maior falha. O meu silêncio grita meus maiores medos.