terça-feira, 19 de agosto de 2014

Viva Vivaldi

A partira de uma música é quase tão importante quanto sua letra. Aliás, acredito que as duas tenham igual importância, entretanto é possível fazer música sem letra, mas não sem melodia e para a melodia é necessária a partitura. A definição dessa palavra é a de que é como um sistema de linguagem musical padronizado no mundo todo, ou seja, são símbolos que representam a própria música.
As últimas três noites eu dormi ao som de Mozart e agora escrevo esse texto ao som de Vivaldi. Não sou grande conhecedor da música clássica ou de música no geral, mas sinto algo quando escuto Mozart e algo quando escuto Vivaldi. Com Mozart eu senti uma paz de espírito tão grande que caí num sono leve e profundo, com sonhos que me fizeram acordar renovado, senti meu corpo relaxado e minha mente clara como a neve. Já com Vivaldi senti uma emoção forte, senti meu espírito se enraivecer e depois se acalmar, me senti tão vivo que eu tive a sensação de que poderia fazer qualquer coisa, era como se o mundo estivesse ao alcance das minhas mãos e meus dedos deslizavam enquanto escrevia esse texto e lágrimas escorriam pelo meu rosto acompanhando meus dedos que nervosos seguiam a batida do meu coração.
A música consegue definir um sentimento sem dizer uma única palavra, consegue nos mudar sem uma única sílaba e acho isso incrível, eu, como escritor, acho maravilho os momentos que me deixam sem palavras.
A menina musical e que chora ao som da música foi aquela que me deixou sem palavras e que depois me deixou com palavras demais. Aquela cujos longos cabelos me fizeram sonhar de noite e cujo sorriso me fez sonhar de dia. Ela me introduziu ao mundo musical dela e eu me encantei. De sertanejo à música clássica, ela me fez ir de organizador de tabelas à menino que come sorvete com o dedo. Mudou a minha partitura e eu sinceramente espero ter mudado a dela. Ela foi como Mozart, que me fez sentir uma paz de espírito e que me fez acalmar, que transformou minha vida na paz e que me ter noites de sono profundas. Depois ela veio como Vivaldi e bagunçou meu espírito, me fez ir à loucura, uma emoção forte, me fez odiá-la e depois amá-la com segundos de diferença, me deixou sem chão, mas também me tirou o teto. Ela faz meus dedos escorregarem para a beleza de meus poemas e meu coração acelerar à rapidez de meus textos e é ela quem me faz ficar acordado de madrugada simplesmente pensando se algum dia serei capaz de fazer com ela o que ela fez comigo. Penso se algum dia minha partitura será a dela também e se juntos iremos reger a próxima grande sinfonia da vez.