Foi um ano de aprendizagem, pois com meus amigos aprendi a ir além, com minha família, aprendi o significado da palavra amor e comigo mesmo aprendi a ter auto controle sobre minhas emoções e minhas ideias. O bom desses 365 dias de cada ano é que são 365 aulas das quais você raramente pode faltar, ou seja, estará sempre aprendendo algo e, como professor, posso afirmar que não há professor melhor que eu, ops, quer dizer, que a vida.
Com esses dias todos que me foram dados, aprendi mais uma vez que o bom humor salva e que um sorriso pode salvar os outros. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa bem humorada e que estou sempre a sorrir, mas também tive meus dias de derrota e eles só me ensinaram ainda mais a importância de ser um grande palhaço no circo da vida.
Nesse grande circo da vida também aprendi a ser o mágico e fazer a magia acontecer com simples ações, como ajudar no currículo de alguém ou dar um conselho amigo ou salvar um relacionamento em perigo ou até emprestar um livro à alguém. A mágica da vida é fazer muito com o pouco que se tem.
No picadeiro não podem faltar os malabaristas e vamos todos concordar que na vida somos todos malabaristas ao equilibrar tantos problemas em uma única cachola e junto aos nossos malabares também somos equilibristas, sempre a andar na corda bamba da vida.
O último, mas não menos importante, também aprendi a ser o mestre de cerimônia circense e então aprendi a reger o espetáculo que é minha vida, aprendi que, não narro apenas a minha vida, mas a vida de meus personagens e às vezes, até narro acontecimentos na vida de algumas pessoas e no final, em algum momento, todos nós vamos narrar a parte da vida de alguém. Então seja o melhor mestre de cerimônia possível, seja o palhaço mais engraçado do picadeiro, faça malabares incríveis e se equilibre bem até as cortinas serem fechadas e se apronte para o próximo espetáculo.
Feliz Ano Novo do Circo de 2014!
domingo, 28 de dezembro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Sonhos
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que paredes enormes se erguiam do chão e me impediam de falar com as pessoas. Aqueles que eu mais amava iam se afastando de mim e por incrível que pareça eu estava gostando de tudo aquilo. Não me veja como um ser cruel, mas é que eles não precisavam daquilo tudo. Aquele seria um momento só meu, um monólogo e não um dueto.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que eu estava perdido na cidade grande e que não importasse o quanto eu gritava, ninguém parecia me ouvir. Não me julguem inútil, mas eu não tinha forças para andar a procura de mais ninguém, portanto, deitei-me na palafita e lá fiquei esperando o Sol nascer, mas na verdade, o Sol nunca veio me ver.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que estava com problemas na visão, mas que ninguém sabia o que era e nenhum óculos consertava o problema. Minha visão estava turva e eu não conseguia ver meu reflexo no espelho. As pessoas diziam que eu era de um jeito, mas eu, na verdade, enxergava de outro totalmente diferente.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que eu estava dividido em três e que meus outros dois tentavam me enlouquecer. Às vezes diziam coisas sem sentido algum, mas às vezes iluminavam meu caminho e me faziam enxergar, nem sempre pra melhor, mas enxergar mesmo assim.
Eu tive um sonho em meu sono profundo, mas dessa vez não acordei dele. Sonhei que estava vivendo meus piores pesadelos e que minha alegria se esvaía de meu corpo, pouco a pouco. Dessa vez, em meio aos meus lençóis, eu gritava e ninguém me ouvia. Parece que nem todos os sonhos são realidades, mas quando seus piores sonhos se tornam parte da sua vida, o melhor a se fazer é deitar e dormir e esperar que os sonhos dentro dos sonhos sejam bons e irreais, pois de real já basta a vida e sejamos sinceros, a vida pode ser muito chata.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que eu estava perdido na cidade grande e que não importasse o quanto eu gritava, ninguém parecia me ouvir. Não me julguem inútil, mas eu não tinha forças para andar a procura de mais ninguém, portanto, deitei-me na palafita e lá fiquei esperando o Sol nascer, mas na verdade, o Sol nunca veio me ver.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que estava com problemas na visão, mas que ninguém sabia o que era e nenhum óculos consertava o problema. Minha visão estava turva e eu não conseguia ver meu reflexo no espelho. As pessoas diziam que eu era de um jeito, mas eu, na verdade, enxergava de outro totalmente diferente.
Eu tive um sonho em meu sono profundo. Que eu estava dividido em três e que meus outros dois tentavam me enlouquecer. Às vezes diziam coisas sem sentido algum, mas às vezes iluminavam meu caminho e me faziam enxergar, nem sempre pra melhor, mas enxergar mesmo assim.
Eu tive um sonho em meu sono profundo, mas dessa vez não acordei dele. Sonhei que estava vivendo meus piores pesadelos e que minha alegria se esvaía de meu corpo, pouco a pouco. Dessa vez, em meio aos meus lençóis, eu gritava e ninguém me ouvia. Parece que nem todos os sonhos são realidades, mas quando seus piores sonhos se tornam parte da sua vida, o melhor a se fazer é deitar e dormir e esperar que os sonhos dentro dos sonhos sejam bons e irreais, pois de real já basta a vida e sejamos sinceros, a vida pode ser muito chata.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
O que seria saudade?
O que seria a saudade? Sabemos que é uma palavra sem tradução, mesmo. Não há como traduzir um sentimento que, na humilde opinião de quem vos escreve, é tão forte quanto o amor. Se pensarmos no sentimento da saudade, ele é tão forte que por muitas vezes nos faz regredir no tempo.
Nossas memórias são movidas à saudade e saudade é movida à amor, mas e o amor é movido à que? São tantas as perguntas que se levantam, mas só uma importa, o que é saudade? e mesmo assim eu sempre volto ao amor, pois o amor move o mundo e nós movemos o amor.
O que seria a saudade se não nosso mais puro elixir de lágrimas? O que seria saudade se não nosso grito de solidão na noite mais escura? Saudade seria o que sinto quando vejo nossas fotos ou quando lembro do seu sorriso, saudade é te ver e não poder te abraçar. Saudade é saber que não verei mais o teu olhar ao meu encontro, mesmo que por alguns dias, é saber que apesar de longe, meu coração sempre será teu. No fim de tudo, não se define saudade, apenas se sente e quem a sente, sofre. Então talvez saudade, seja sofrer, mas sofrer de pura alegria, por saber que um dia se sentiu o amor de alguém.
Nossas memórias são movidas à saudade e saudade é movida à amor, mas e o amor é movido à que? São tantas as perguntas que se levantam, mas só uma importa, o que é saudade? e mesmo assim eu sempre volto ao amor, pois o amor move o mundo e nós movemos o amor.
O que seria a saudade se não nosso mais puro elixir de lágrimas? O que seria saudade se não nosso grito de solidão na noite mais escura? Saudade seria o que sinto quando vejo nossas fotos ou quando lembro do seu sorriso, saudade é te ver e não poder te abraçar. Saudade é saber que não verei mais o teu olhar ao meu encontro, mesmo que por alguns dias, é saber que apesar de longe, meu coração sempre será teu. No fim de tudo, não se define saudade, apenas se sente e quem a sente, sofre. Então talvez saudade, seja sofrer, mas sofrer de pura alegria, por saber que um dia se sentiu o amor de alguém.
domingo, 14 de setembro de 2014
Desejos
Pela primeira não quero falar sobre amor. Não quero falar sobre meus sentimentos. Pela primeira vez na vida eu não quero falar. Parece que o silêncio me é a melhor solução e me parece que estou perdendo a mi mesmo mais que do estou perdendo minha Valência. Entretanto para perder, é preciso ter tido algum dia e eu nunca a tive.
Não é uma grande decepção quando finalmente descobrimos que nosso coração merece a dor que sente? Eu já falei sobre minha teoria diversas vezes e parece que eu não tenha mesmo nascido para ser feliz. Sei que sempre pareço estar sorrindo, mas a verdade é que minha alma chora e chora mais do que gostaria.
As desilusões de um poeta são sempre elevadas e é trágico se não fosse tão engraçado. Escrevo o que minha alma pede para escrever e sinceramente choro enquanto as palavras aqui são formadas. Acho que está na hora de deixar de ser poeta e me tornar humano. Talvez seja hora de crescer e perceber que o mundo não é movido por palavras, não importa o quão belas elas sejam. Note que o mundo, apesar de ser movido pelas ações das pessoas, sempre terá aquela ação movida por palavras. Na guerra é o discurso de seu comandante que te faz ir em frente e assim também funciona com o amor. Lá vamos nós comparar o amor à guerra.
Minhas palavras estão tão confusas quanto minha alma e meu coração. Acontece que pela primeira vez realmente não sei o que estou escrevendo, mesmo lendo tudo que está aqui. Pela primeira vez não quero chorar e não quero sorrir, quero apenas não sentir. Sempre você que me deixa sem palavras, mas pela primeira vez queria falar e pela primeira vez, desejo não te amar.
Não é uma grande decepção quando finalmente descobrimos que nosso coração merece a dor que sente? Eu já falei sobre minha teoria diversas vezes e parece que eu não tenha mesmo nascido para ser feliz. Sei que sempre pareço estar sorrindo, mas a verdade é que minha alma chora e chora mais do que gostaria.
As desilusões de um poeta são sempre elevadas e é trágico se não fosse tão engraçado. Escrevo o que minha alma pede para escrever e sinceramente choro enquanto as palavras aqui são formadas. Acho que está na hora de deixar de ser poeta e me tornar humano. Talvez seja hora de crescer e perceber que o mundo não é movido por palavras, não importa o quão belas elas sejam. Note que o mundo, apesar de ser movido pelas ações das pessoas, sempre terá aquela ação movida por palavras. Na guerra é o discurso de seu comandante que te faz ir em frente e assim também funciona com o amor. Lá vamos nós comparar o amor à guerra.
Minhas palavras estão tão confusas quanto minha alma e meu coração. Acontece que pela primeira vez realmente não sei o que estou escrevendo, mesmo lendo tudo que está aqui. Pela primeira vez não quero chorar e não quero sorrir, quero apenas não sentir. Sempre você que me deixa sem palavras, mas pela primeira vez queria falar e pela primeira vez, desejo não te amar.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Viva Vivaldi
A partira de uma música é quase tão importante quanto sua letra. Aliás, acredito que as duas tenham igual importância, entretanto é possível fazer música sem letra, mas não sem melodia e para a melodia é necessária a partitura. A definição dessa palavra é a de que é como um sistema de linguagem musical padronizado no mundo todo, ou seja, são símbolos que representam a própria música.
As últimas três noites eu dormi ao som de Mozart e agora escrevo esse texto ao som de Vivaldi. Não sou grande conhecedor da música clássica ou de música no geral, mas sinto algo quando escuto Mozart e algo quando escuto Vivaldi. Com Mozart eu senti uma paz de espírito tão grande que caí num sono leve e profundo, com sonhos que me fizeram acordar renovado, senti meu corpo relaxado e minha mente clara como a neve. Já com Vivaldi senti uma emoção forte, senti meu espírito se enraivecer e depois se acalmar, me senti tão vivo que eu tive a sensação de que poderia fazer qualquer coisa, era como se o mundo estivesse ao alcance das minhas mãos e meus dedos deslizavam enquanto escrevia esse texto e lágrimas escorriam pelo meu rosto acompanhando meus dedos que nervosos seguiam a batida do meu coração.
A música consegue definir um sentimento sem dizer uma única palavra, consegue nos mudar sem uma única sílaba e acho isso incrível, eu, como escritor, acho maravilho os momentos que me deixam sem palavras.
A menina musical e que chora ao som da música foi aquela que me deixou sem palavras e que depois me deixou com palavras demais. Aquela cujos longos cabelos me fizeram sonhar de noite e cujo sorriso me fez sonhar de dia. Ela me introduziu ao mundo musical dela e eu me encantei. De sertanejo à música clássica, ela me fez ir de organizador de tabelas à menino que come sorvete com o dedo. Mudou a minha partitura e eu sinceramente espero ter mudado a dela. Ela foi como Mozart, que me fez sentir uma paz de espírito e que me fez acalmar, que transformou minha vida na paz e que me ter noites de sono profundas. Depois ela veio como Vivaldi e bagunçou meu espírito, me fez ir à loucura, uma emoção forte, me fez odiá-la e depois amá-la com segundos de diferença, me deixou sem chão, mas também me tirou o teto. Ela faz meus dedos escorregarem para a beleza de meus poemas e meu coração acelerar à rapidez de meus textos e é ela quem me faz ficar acordado de madrugada simplesmente pensando se algum dia serei capaz de fazer com ela o que ela fez comigo. Penso se algum dia minha partitura será a dela também e se juntos iremos reger a próxima grande sinfonia da vez.
As últimas três noites eu dormi ao som de Mozart e agora escrevo esse texto ao som de Vivaldi. Não sou grande conhecedor da música clássica ou de música no geral, mas sinto algo quando escuto Mozart e algo quando escuto Vivaldi. Com Mozart eu senti uma paz de espírito tão grande que caí num sono leve e profundo, com sonhos que me fizeram acordar renovado, senti meu corpo relaxado e minha mente clara como a neve. Já com Vivaldi senti uma emoção forte, senti meu espírito se enraivecer e depois se acalmar, me senti tão vivo que eu tive a sensação de que poderia fazer qualquer coisa, era como se o mundo estivesse ao alcance das minhas mãos e meus dedos deslizavam enquanto escrevia esse texto e lágrimas escorriam pelo meu rosto acompanhando meus dedos que nervosos seguiam a batida do meu coração.
A música consegue definir um sentimento sem dizer uma única palavra, consegue nos mudar sem uma única sílaba e acho isso incrível, eu, como escritor, acho maravilho os momentos que me deixam sem palavras.
A menina musical e que chora ao som da música foi aquela que me deixou sem palavras e que depois me deixou com palavras demais. Aquela cujos longos cabelos me fizeram sonhar de noite e cujo sorriso me fez sonhar de dia. Ela me introduziu ao mundo musical dela e eu me encantei. De sertanejo à música clássica, ela me fez ir de organizador de tabelas à menino que come sorvete com o dedo. Mudou a minha partitura e eu sinceramente espero ter mudado a dela. Ela foi como Mozart, que me fez sentir uma paz de espírito e que me fez acalmar, que transformou minha vida na paz e que me ter noites de sono profundas. Depois ela veio como Vivaldi e bagunçou meu espírito, me fez ir à loucura, uma emoção forte, me fez odiá-la e depois amá-la com segundos de diferença, me deixou sem chão, mas também me tirou o teto. Ela faz meus dedos escorregarem para a beleza de meus poemas e meu coração acelerar à rapidez de meus textos e é ela quem me faz ficar acordado de madrugada simplesmente pensando se algum dia serei capaz de fazer com ela o que ela fez comigo. Penso se algum dia minha partitura será a dela também e se juntos iremos reger a próxima grande sinfonia da vez.
domingo, 18 de maio de 2014
Janela Aberta
Uma conversa
Aberta
Uma janela
Secreta
Um momento
Único
Meu alfabeto
Rúnico
Minhas palavras
Antigas
De mente
Intrigas
O meu
É seu
O nosso
Que posso
Ter
Ou não
A emoção
De ser
E poder
Dizer
Que é minha
Valentia
Aberta
Uma janela
Secreta
Um momento
Único
Meu alfabeto
Rúnico
Minhas palavras
Antigas
De mente
Intrigas
O meu
É seu
O nosso
Que posso
Ter
Ou não
A emoção
De ser
E poder
Dizer
Que é minha
Valentia
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Carol
Como se pode definir em palavras um sentimento? Não importa
qual o sentimento, será possível defini-lo através das palavras? Eu sempre fui
um defensor das palavras, pois não importa o quão estranho algo seja, palavras
sempre podem descrevê-las.
Eu nunca fui de dizer eu te amo para os meus amigos, apesar
de considerar isso um ato belo. Eu nunca fui de abraça-los e nem de ser
extremamente agradável. Não sou assim
com as pessoas. Mas você não é uma pessoa qualquer, não é mesmo? Você é a “minha
pessoa”. Eu já disse isso antes, mas gosto de repetir. Existe um único ser
humano nessa terra quem dou ouvidos e essa pessoa é você, Carol.
Não lhe abraço, é verdade, mas o que dizer? Você também
gosta de abraços. Não digo que te amo o tempo todo, mas fazer o que? Não temos
esse tipo de amizade, não, temos um nível de amizade tão forte que brigamos (ou
discutimos, me soa melhor) todos os dias e ainda assim, continuo a revelar
todos meus segredos unicamente a você.
Sempre me gabei por dizer que ninguém sabia tudo sobre mim,
que eu conto uma parte para cada pessoa, mas esse dia chegou ao fim, você é a
única pessoa que sabe tudo e, arrisco ainda dizer que, é a única pessoa do
mundo que me conhece tão bem ao ponto de eu não precisar falar para você saber
o que se passa. Sinto orgulho de ser seu amigo, de verdade verdadeira.
Você é uma pessoa chata, de verdade, e sei que você vai
interpretar isso de forma negativa, mas são as suas chatices que me encantaram.
Você tem o incrível poder de sempre vencer e isso me irrita, mas me agrada.
Digo que agrada, pois você está mesmo quase sempre certa (quase sempre
significa sempre).
Dentre todas as pessoas do mundo, dizia minha mãe, você era
a última pessoa do mundo pela qual eu criaria algum tipo de afeição. Até hoje
não entendo o motivo disso. Somos feitos um para o outro, no sentido da amizade
eterna. Sei que às vezes te desaponto com minhas idiotices e escolhas
estupidas, com minha criancice e meu temperamento extremamente bem humorado.
Dentre todas as coisas que tanto quero nessa vida, a primeira dela é nunca
perder sua amizade, o conforto do seu sorriso, o tom de sua voz ao brigar
comigo, seu poder de persuasão que me levou ao bar e me fez beber bebida alcoólica,
o seu afeto e o carinho que sei que você sente por mim. Não estou sendo
convencido, estou apenas citando fatos, você me ama e eu sei disso. Que você
saiba que você é única na minha vida e sempre será e não importa o tempo e nem
as razões que possam nos afastar, você terá sempre um lugar no meu coração.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Vida de um Autoimune
Tenho uma doença autoimune. Uma doença autoimune é uma doença que faz com que meu corpo lute contra ele mesmo. Os soldados que deveriam me proteger, acham que sou uma ameaça e me atacam. Isso é engraçado dentro do contexto apresentado. Veja bem, eu não sou uma pessoa que escolhe as coisas facilmente e vivo em confronto comigo mesmo. Eu sou autoimune.
Tenho uma tendencia enorme a me sabotar quando sei que estou perto de ser feliz plenamente. Eu deveria me defender com todas as forças da infelicidade, ma seu vejo a felicidade e penso que ela é uma inimiga, então a ataco. Uma vez, em um texto, eu disse que havia criado uma teoria em que eu não nasci para ser feliz, essa teoria continua uma teoria, mas ela se encaixa no quebra cabeça de hoje.
No período da tarde conversava com meus amigos sobre meu probleminha de saúde, a Artrite Reumatoide Idiopática, ou como gosto de chama-la, Artie. Enfim, estávamos conversando sobre Artie e me fizeram perguntas sobre dor, onde dói e etc e tal. Ao chegar em casa meu dedo estava inchado, ou seja, de um tamanho normal já que meus dedos são extremamente finos. E então eu notei que havia respondido errado, não me dói o dedo, mas a alma. Minha mãe diz que existem pessoas com a mesma doença que eu, mas em estado pior, sei que vai parecer meio egoísta, mas eu não ligo. Eu me importo com o que eu estou sentindo e nesse momento é raiva. Tenho raiva de ter sido escolhido para portar essa doença e tenho raiva de nunca ter desabafado com ninguém o quanto ela me fere por dentro. A dor que ela causa aos meus dedos não são nada comparadas à dor que sinto em meu coração ao pensar no meu futuro. Não digo que se um dia eu parar em uma cadeira de rodas que minha vida simplesmente vai acabar, mas digo que vai doer. Eu corro o tempo todo e me sinto bem quando faço isso, livre.
Descobri a Artie quando tinha meus quatorze anos de idade e desde então minha vida sofreu pequenas alterações, como não conseguir abrir uma garrafa de refrigerante ou colocar as calças para ir à escola. Aos quinze anos, eu me trancava no banheiro e chorava todas as noites, mas não choro mais. Aliás, notei que sou quem sou hoje, devido minha condição. A Artie me fez aprender a criar piadas, me fez encarar a vida de uma forma tão bela que eu quase agradeci por ter a doença. Será então que minha raiva é pelo fato de eu ser, em partes, grato à essa doença?
Artie também é uma doença degenerativa, o que significa que vou me degenerando conforme o tempo passa, ou seja, vou ficando deformado. Acho que sou um ser degenerativo, pois tenho outra doença degenerativa que se chama amor. O amor de destrói e me corrói. Juro que tentei não transformar isso em um texto de amor, mas a vida não é basicamente isso? Amor? Pois bem, o amor me degenera, cada vez que amo, meu coração se quebra um pouco. Não é que eu queria que ele se destrua, mas é só o meu corpo lutando contra ele mesmo, me transformando em um ser novo, me degenerando de forma nada peculiar. Uma menina linda me disse hoje que sentia algo por mim e eu sentia, ou ainda sinto, algo por ela. Meu medo me impediu de falar com ela e a dedução incorreta dela a fez encontrar um novo amante. Mais uma prova da autoimunidade de minha vida, eu me boicotei. Sabia que ela sentia algo por mim, mas preferi ficar quieto. O meu silêncio é minha maior falha. O meu silêncio grita meus maiores medos.
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