domingo, 17 de novembro de 2013

Teoria

Um dia criei uma teoria. Uma teoria que dizia que jamais na minha vida eu alcançaria a plena felicidade de minha alma. Que, em minha vida, sempre faltaria algo.
Um dia criei uma teoria. Uma teoria que dizia que sou mais feliz sozinho, solitário dentro de um mundo que eu criei. Que, no meu mundo, eu sou iludidamente feliz.
Um dia criei uma teoria. Uma teoria que dizia que eu, definitivamente, escrevo melhor quando estou triste e infeliz. Que, apenas com um buraco em meu coração, seria capaz de escrever textos capazes de emocionar.
Uma tarde criei uma teoria. Uma teoria maluca de que uma linda menina me faria feliz e que eu seria capaz de amá-la. Que, com essa menina, minha primeira teoria seria eliminada.
Uma tarde criei uma teoria. Uma teoria que dizia que para ser feliz basta sorrir e mais nada, pois apenas o sorriso forçado seria o suficiente. Que, com um sorriso forjado, o verdadeiro iria surgir.
Certa noite criei outra teoria. Uma teoria que mudaria minha vida para sempre. Uma teoria que era mágica, mas não funcionou. Criei a teoria da literatura. Uma teoria que demandava apenas um caderno velho e uma caneta, um coração aberto e uma alma livre.
Outra noite qualquer criei uma nova teoria. Uma teoria que mudaria minha vida para sempre. Uma teoria que era mágica, mas não funcionou. Criei a teoria do amor. Uma teoria que demandava um coração aberto e uma alma livre, mas meu coração não é aberto e minha alma é prisioneira do medo. Essa teoria constituía em uma vida ao lado de alguém especial, uma vida com sorrisos, com mais alegrias do que decepções. Uma vida em que o amor seria tudo e uma vida em que eu teria em minha melhor amiga, um grande amor. No entanto, cheguei a mais uma teoria.
Ao fim desse texto criei uma teoria. Uma teoria que faz mais sentido que todas as outras. Eu criei a teoria de que todas as minhas teorias não passam de teorias, mas de novo, isso é apenas mais uma teoria.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sonho meu.

Sonhar é ter aquilo que não se pode ter. Sonhar é imaginar o inimaginável e sentir o gosto de uma vida sem limites. Sonhar é acordar sorrindo de manhã sabendo que algo bom aconteceu. Sim, aconteceu. Não é só porque foi um sonho que nada tenha acontecido. Descobri que tenho memórias maravilhosas de coisas que só aconteceram nos meus sonhos mais loucos. Ontem eu tive um desses sonhos que eu nunca vou me esquecer.
Eu estava sentado em um banco e uma rosa caía em meus pés. Enquanto eu me abaixava para pegar a rosa, uma voz chamava meu nome. Era uma linda voz e lindos olhos me encaravam quando levantei minha cabeça à procura da voz. Você estava de pé pedindo para que eu devolvesse a rosa. Eu lhe entreguei a rosa e junto com ela, o meu coração.
Sonhos são nossos desejos mais íntimos, demonstrados em sua forma mais nua e pura. Sonhar com alguém é bom. Sonhar com você é ser feliz.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Certamente incertezas

Talvez eu não seja bom me expressando fisicamente. Talvez eu realmente não saiba abraçar e talvez isso me incomode. Eu não tenho muitas certezas na vida, aliás, nunca tive. Se eu lhe dissesse que tenho certeza de que vou morrer, estaria mentindo. Eu quero ser é imortal! Não estou dizendo imortalidade no sentido de que meu corpo físico habitará para sempre a Terra, mas digo que nunca mais serei esquecido. Quero deixar meu legado aqui, seja ele qual for; se as pessoas vão lembrar de mim e contar minhas histórias malucas pros seus filhos, se eu me tornar um ator famoso, se eu tiver filhos e eles me amarem e também se eu virar um escritor e meus livros circularem por aqui. Dizem, também, que a outra certeza que temos na vida é que vamos pagar impostos em tudo que compramos e até nisso, mesmo que ingenuamente, eu não tenho certeza. Eu tenho um problema que me faz ter descontos ou até mesmo não pagar impostos! Menos uma certeza da minha vida. Outra certeza que dizem ser possível é sempre há uma alma gêmea. A certeza de que todos nós, um dia, encontraremos aquela pessoa especial que nasceu para viver ao seu lado e te amar eternamente. Outra certeza que eu elimino. Não porque eu não acredito que possa existir alma gêmea, jamais! Aliás, acredito muito em almas gêmeas, no amor e tudo mais, mas não acredito que a pessoa tenha nascido para estar ao seu lado. Não. A vida nos transforma e nos molda para que possamos aprender á como lidar com outras pessoas. Aprendemos que nem todo defeito é ruim e que nem toda qualidade é boa. Notamos que os erros são nossas maiores lições de vida e que o medo é nosso maior freio e nosso maior incentivo para tomar certas atitudes. No final da vida não temos certeza de nada, não podemos nem ao menos dizer que chegamos mesmo ao fim. Porém, decidi que eu irei escolher minhas certezas, irei decidir o que tenho certeza na minha vida. Aqui vão algumas delas. Tenho certeza de que vou morrer, assim como tenho plena noção de que serei imortalizado. Nem todas as pessoas irão saber quem eu sou, mas enquanto uma delas lembrar meu nome e sorrir meu sorriso, então eu viverei para sempre. Tenho certeza que vou pagar impostos, tudo na vida tem o seu imposto, qualquer decisão que tomamos vem com uma taxa extra. Quando cometo um erro, aprendo, e o imposto desse erro é a decepção, a tristeza. Não existe imposto mais caro do que pagar com sua própria infelicidade. Tenho certeza que encontrei minha alma gêmea. Ela pode não ter nascido para ficar comigo, nossas histórias podem não estar escritas na estrela, mas estão escritas em nossos corações. Ela não nasceu para mim, mas encontrou seu caminho até o meu amor. Nos cruzamos para nunca mais partirmos. Tenho certeza de que ela vai ler isso, mas não tenho certeza se irá concordar. No fim da vida, eu só tenho uma certeza. A certeza de que no fim da vida, eu quis você, de que no fim da minha vida, o meu início foi sempre você.

sábado, 19 de outubro de 2013

Tarde

Acredito que seja tarde para escrever. Não que seja tarde demais, mas é que já passa das quatro da manhã. Eu com certeza deveria estar dormindo, mas você não me deixa. Você não está aqui comigo, mas está comigo o tempo todo e eu espero que você esteja lendo isso. Não sei o que pensar sobre essa situação, mas você me mudou. Não digo que eu tenha mudado todas as minhas atitudes e o meu jeito de viver por causa de você, não, não. Digo apenas que mudei.
Sinto que mudei, talvez, o modo de ver o meu passado. Eu jamais ousaria encarar o meu passado como algo repleto de coisas boas e muito menos um exemplo a ser dado. Nunca cheguei a fazer algo tão errado assim, mas não terei as melhores das histórias para contar pros meus netos. Sinto que até hoje eu nunca realmente vivi.
Porém, hoje fui entender o motivo de nunca ter vivido. Nunca tinha visto você sorrir, nunca tinha encontrado o seu olhar. Não haverá motivos para sorrir enquanto seus olhos não se encontrarem aos meus. E tudo que consigo pensar é como poderei te dizer tudo isso?
Como será que irei dizer que o seu sorriso deixa meu dia mais doce? Que seus olhos me iluminam o caminho e me encaminha na direção certa? Que seus cabelos negros me cegam? E que sua voz me acalma? Como poderei encontrar meios para dizer que sua presença me revitaliza? Como poderei lhe dizer que eu descobri que sem você eu não sou nada? Que sem você a vida não faz mais nenhum sentido?
Como vou responder á todas essas perguntas?
Você é, de fato, a resposta para todas as minhas perguntas. Existe a felicidade? - Sim, você.
Existe amor? - Sim, você.
Existe paz? - Sim, você.
Existe o eu? - Sim, mas apenas com você.
A única resposta que eu não poderei responder é aquela que me faço todos os dias desde que te conheci: Será que irei conseguir falar tudo isso pra você? Declarar-me é difícil e por esse motivo espero que você esteja lendo, porque talvez, logo mais, seja muito tarde para escrever. E dessa vez, talvez, eu não esteja apenas falando da hora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Selva

Então a dor e o sofrimento se ergueram, como prédios de concretos enormes, e tamparam-me a única luz que fazia o dia valer a pena. O Sol não brilhava mais na minha pequena cidade de emoções e a Lua não iluminava mais os meus caminhos, foi então que me senti perdido. A grande selva de pedra bloqueou a visão da grande selva verde, que floreava meu dia e perfumava o ar que respirava.
A dor também se locomovia muito rápido de um lugar para outro, do coração para o cérebro, do cérebro para as pernas, das pernas para as mãos. Esse tipo de locomoção era rápido, pois era feito utilizando um automóvel. A utilização desse veículo de locomoção poluiu meu pulmão e mais uma vez eu sofria com a dor.
A pior parte da dor é que ela dói.
Eu me vi perdido numa cidade grande, sem um mapa para me achar, sem alguém para me dar a mão. Tornei-me um sem-teto.
Comecei a caçar latinhas e dormir nas ruas. O frio da noite e da manhã me mantinham acordado o tempo todo, meus olhos nunca fechavam e eu estava cansando. As pessoas me ignoravam e eu me tornei invisível. Não acreditava no que estava acontecendo, eu já fui dono de tudo aquilo e hoje estou aqui, caído no chão à espera de alguém de boa fé para me ajudar.
Os dias se passaram e num dia em que, finalmente, consegui fechar os olhos e dormir, algo me acordou. Nunca senti tanto ódio na vida, mas mudei de opinião. Ao meu lado, se aconchegando sem ser convidado, um cão vira-lata. Ele pedia por carinho e eu não pude negar. Coloquei-o dentro de minhas cobertas (feitas de jornal) e abracei o coitado até que nós dois estivéssemos dormindo.
Peguei afeto pelo bicho e dei carinho, atenção e comida. Ele me seguia pra onde quer que eu fosse, mas um dia ele fugiu de mim. O meu desespero e o medo da solidão me perseguiam, eu estava gritando por dentro e com medo, muito medo. O latido dele me trouxe de volta à lucidez e lá estava ele, pedindo para segui-lo. O cão me levou à um prédio abandonado e seguimos até o último andar. Lá do alto pude ver toda a minha antiga selva, que agora era uma grande cidade de pedra, e olhei para o alto. Nunca me senti tão perto das estrelas, tão perto da felicidade. Olhei para o lado e lá estava meu cão, nunca me senti tão perto de alguém, tão perto do próprio amor. Mesmo não tendo nada, pela primeira vez na vida, eu tinha tudo.

domingo, 8 de setembro de 2013

Sentimentos em Guerra.

A Felicidade bateu à minha porta, mas dessa vez a Tristeza chegou primeiro. Eu e minha doce Tristeza nos sentamos à frente da Televisão e tomamos um belo chá feito com as minhas lágrimas mais sinceras, conversamos e comemos biscoitos deliciosos feitos do meu passado. A Felicidade estava observando tudo através da janela e poxa vida, como a Felicidade é ciumenta. Assim que ela me viu abraçar a Tristeza, a Felicidade sumiu, sem deixar notícias.
O tempo foi passando e a Tristeza começou a me cansar. Seu papo era tedioso e sua companhia me deixava exausto. Não havia risos gostosos e nem mesmo uma única boa lembrança daquele encontro, a não ser talvez, por exceção das lágrimas. Chorar faz bem e limpa os pulmões, alivia a alma e eu estava precisando disso, mas agora já passou. Chorei e não quero mais chorar, quero sorrir novamente e agora me pergunto: Onde está você minha doce felicidade?
Comecei a me desesperar e a me esconder da Tristeza. Trancava-me no banheiro e apagava a luz para que ela pensasse que eu não estava ali. Acho que foi um milagre ou algo parecido, mas ouvi uma briga na sala. Aparentemente uma briga muito violenta, pois partes do meu coração foram se quebrando, não sei quem era, mas estava torcendo para que a Tristeza perdesse. Um silêncio mortal e uma batida à minha porta.
- Quem é? - perguntei com medo.
- Aquela que você jamais deveria ter deixado partir. - respondeu minha doce Felicidade.
Quando abri a porta deparei-me com uma cena assustadora, a minha linda Felicidade estava toda arrebentada, seus olhos roxos, sem alguns dentes e totalmente descabelada, mas o mais incrível é que o sorriso dela se mantivera lá o tempo todo, enquanto ela lutava por mim.
Eu a abracei e agora tomo conta dela, estamos juntos, unidos novamente por um laço que jamais pode ser quebrado. Ah é! Não disse que éramos um triângulo amoroso, não é mesmo? Pois é, vivemos eu, minha Felicidade e nosso querido Amor. Descobrimos que não podemos viver um sem o outro, somos essências e somos um só. A Tristeza faz parte, às vezes ela aparece, mas não deixamos ela ficar muito tempo. A Tristeza é sempre muito encrenqueira e sempre dá uma surra daquelas na Felicidade, mas por sorte temos o Amor que é um excelente médico que cura e faz até milagres.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Meus Eus

Eu falo sozinho.
Podem achar estranho, mas quando eu digo que falo sozinho, eu falo e me respondo e faço isso quase que o tempo todo. Faço isso em casa, no serviço e na rua também.
Podem achar estranho, mas eu acho isso perfeitamente normal e um modo de me ajudar de forma incrível. O fato de falar sozinho não significa que eu seja louco, na verdade, simboliza a união perfeita de duas pessoas: O meu EU Real e o meu EU Irreal.
O meu EU Real é aquele que sou eu. Aquele EU que vive o que eu vivo, que sofre na pele o que eu sofro, o meu EU Real sou eu. Aquele cheio de coisa na cabeça que nunca sabe o que fazer, aquele que todos os dias tem que pensar em várias coisas e cuja mente é tão lotada que precisa falar, sempre. Mas falar com quem?
Eis que surge o EU Irreal. Esse é o EU que não está lá fisicamente, apenas mentalmente, espiritualmente e psicologicamente, esse é o eu equilibrado de minha vida e é com ele que eu converso. O meu EU Irreal é capaz de analisar a minha situação como um todo. E quem me conhece melhor do que eu mesmo? O meu Eu Irreal.
Alguns dizem que é coisa de maluco, mas não vejo o menor problema nisso, aliás, conversar comigo mesmo já me rendeu boas risadas e vários momentos de auto-reflexão.
Se tiver alguém aí lendo esse texto, eu sugiro que fale sozinho mais vezes. É um alívio poder conversar com alguém que te entenda sem te julgar, com alguém que irá te amar não importa o que você faça. Na verdade, conversar sozinho foi o que me ensinou a ter amor próprio, algo que parece tão fácil, mas na verdade é tão difícil pra mim.
Nunca realmente me amei e até hoje tenho minhas dúvidas. Me amar não é fácil, sou chato, sou insuportável, sou fresco, sou instável, sou teimoso, sou humano. Acho que depois de tantos anos consegui adquirir um certo amor próprio suficiente para descobrir verdadeiramente o que é o amor. Não sei se o encontrei ou não, mas definitivamente descobri o que é o amor. O amor, antes de mais nada, é amar a si próprio antes de amar qualquer outra coisa, o amor é saber que você pode contar com você mesmo, pois você nunca fará o pior para si. O amor é a forma pura e lapidada do egoísmo. Sim.
Amor é ser egoísta e tudo depende do ponto de vista. Às vezes você será egoísta para consigo e às vezes será egoísta para com o próximo. Porém, não importa a forma de egoísmo, o amor é ser egoísta.
Viu só? Falar sozinho por todos esses anos me ensinou o que é o amor, coisa que nenhum grande poeta, nenhum grande escritor conseguiu fazer em anos. Talvez, você consiga entender o que é amor através desse texto, mas só vai compreender o que é o amor, quando falar consigo mesmo, pois falar consigo mesmo é ouvir o coração e debater com a razão.