sábado, 19 de outubro de 2013

Tarde

Acredito que seja tarde para escrever. Não que seja tarde demais, mas é que já passa das quatro da manhã. Eu com certeza deveria estar dormindo, mas você não me deixa. Você não está aqui comigo, mas está comigo o tempo todo e eu espero que você esteja lendo isso. Não sei o que pensar sobre essa situação, mas você me mudou. Não digo que eu tenha mudado todas as minhas atitudes e o meu jeito de viver por causa de você, não, não. Digo apenas que mudei.
Sinto que mudei, talvez, o modo de ver o meu passado. Eu jamais ousaria encarar o meu passado como algo repleto de coisas boas e muito menos um exemplo a ser dado. Nunca cheguei a fazer algo tão errado assim, mas não terei as melhores das histórias para contar pros meus netos. Sinto que até hoje eu nunca realmente vivi.
Porém, hoje fui entender o motivo de nunca ter vivido. Nunca tinha visto você sorrir, nunca tinha encontrado o seu olhar. Não haverá motivos para sorrir enquanto seus olhos não se encontrarem aos meus. E tudo que consigo pensar é como poderei te dizer tudo isso?
Como será que irei dizer que o seu sorriso deixa meu dia mais doce? Que seus olhos me iluminam o caminho e me encaminha na direção certa? Que seus cabelos negros me cegam? E que sua voz me acalma? Como poderei encontrar meios para dizer que sua presença me revitaliza? Como poderei lhe dizer que eu descobri que sem você eu não sou nada? Que sem você a vida não faz mais nenhum sentido?
Como vou responder á todas essas perguntas?
Você é, de fato, a resposta para todas as minhas perguntas. Existe a felicidade? - Sim, você.
Existe amor? - Sim, você.
Existe paz? - Sim, você.
Existe o eu? - Sim, mas apenas com você.
A única resposta que eu não poderei responder é aquela que me faço todos os dias desde que te conheci: Será que irei conseguir falar tudo isso pra você? Declarar-me é difícil e por esse motivo espero que você esteja lendo, porque talvez, logo mais, seja muito tarde para escrever. E dessa vez, talvez, eu não esteja apenas falando da hora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Selva

Então a dor e o sofrimento se ergueram, como prédios de concretos enormes, e tamparam-me a única luz que fazia o dia valer a pena. O Sol não brilhava mais na minha pequena cidade de emoções e a Lua não iluminava mais os meus caminhos, foi então que me senti perdido. A grande selva de pedra bloqueou a visão da grande selva verde, que floreava meu dia e perfumava o ar que respirava.
A dor também se locomovia muito rápido de um lugar para outro, do coração para o cérebro, do cérebro para as pernas, das pernas para as mãos. Esse tipo de locomoção era rápido, pois era feito utilizando um automóvel. A utilização desse veículo de locomoção poluiu meu pulmão e mais uma vez eu sofria com a dor.
A pior parte da dor é que ela dói.
Eu me vi perdido numa cidade grande, sem um mapa para me achar, sem alguém para me dar a mão. Tornei-me um sem-teto.
Comecei a caçar latinhas e dormir nas ruas. O frio da noite e da manhã me mantinham acordado o tempo todo, meus olhos nunca fechavam e eu estava cansando. As pessoas me ignoravam e eu me tornei invisível. Não acreditava no que estava acontecendo, eu já fui dono de tudo aquilo e hoje estou aqui, caído no chão à espera de alguém de boa fé para me ajudar.
Os dias se passaram e num dia em que, finalmente, consegui fechar os olhos e dormir, algo me acordou. Nunca senti tanto ódio na vida, mas mudei de opinião. Ao meu lado, se aconchegando sem ser convidado, um cão vira-lata. Ele pedia por carinho e eu não pude negar. Coloquei-o dentro de minhas cobertas (feitas de jornal) e abracei o coitado até que nós dois estivéssemos dormindo.
Peguei afeto pelo bicho e dei carinho, atenção e comida. Ele me seguia pra onde quer que eu fosse, mas um dia ele fugiu de mim. O meu desespero e o medo da solidão me perseguiam, eu estava gritando por dentro e com medo, muito medo. O latido dele me trouxe de volta à lucidez e lá estava ele, pedindo para segui-lo. O cão me levou à um prédio abandonado e seguimos até o último andar. Lá do alto pude ver toda a minha antiga selva, que agora era uma grande cidade de pedra, e olhei para o alto. Nunca me senti tão perto das estrelas, tão perto da felicidade. Olhei para o lado e lá estava meu cão, nunca me senti tão perto de alguém, tão perto do próprio amor. Mesmo não tendo nada, pela primeira vez na vida, eu tinha tudo.

domingo, 8 de setembro de 2013

Sentimentos em Guerra.

A Felicidade bateu à minha porta, mas dessa vez a Tristeza chegou primeiro. Eu e minha doce Tristeza nos sentamos à frente da Televisão e tomamos um belo chá feito com as minhas lágrimas mais sinceras, conversamos e comemos biscoitos deliciosos feitos do meu passado. A Felicidade estava observando tudo através da janela e poxa vida, como a Felicidade é ciumenta. Assim que ela me viu abraçar a Tristeza, a Felicidade sumiu, sem deixar notícias.
O tempo foi passando e a Tristeza começou a me cansar. Seu papo era tedioso e sua companhia me deixava exausto. Não havia risos gostosos e nem mesmo uma única boa lembrança daquele encontro, a não ser talvez, por exceção das lágrimas. Chorar faz bem e limpa os pulmões, alivia a alma e eu estava precisando disso, mas agora já passou. Chorei e não quero mais chorar, quero sorrir novamente e agora me pergunto: Onde está você minha doce felicidade?
Comecei a me desesperar e a me esconder da Tristeza. Trancava-me no banheiro e apagava a luz para que ela pensasse que eu não estava ali. Acho que foi um milagre ou algo parecido, mas ouvi uma briga na sala. Aparentemente uma briga muito violenta, pois partes do meu coração foram se quebrando, não sei quem era, mas estava torcendo para que a Tristeza perdesse. Um silêncio mortal e uma batida à minha porta.
- Quem é? - perguntei com medo.
- Aquela que você jamais deveria ter deixado partir. - respondeu minha doce Felicidade.
Quando abri a porta deparei-me com uma cena assustadora, a minha linda Felicidade estava toda arrebentada, seus olhos roxos, sem alguns dentes e totalmente descabelada, mas o mais incrível é que o sorriso dela se mantivera lá o tempo todo, enquanto ela lutava por mim.
Eu a abracei e agora tomo conta dela, estamos juntos, unidos novamente por um laço que jamais pode ser quebrado. Ah é! Não disse que éramos um triângulo amoroso, não é mesmo? Pois é, vivemos eu, minha Felicidade e nosso querido Amor. Descobrimos que não podemos viver um sem o outro, somos essências e somos um só. A Tristeza faz parte, às vezes ela aparece, mas não deixamos ela ficar muito tempo. A Tristeza é sempre muito encrenqueira e sempre dá uma surra daquelas na Felicidade, mas por sorte temos o Amor que é um excelente médico que cura e faz até milagres.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Meus Eus

Eu falo sozinho.
Podem achar estranho, mas quando eu digo que falo sozinho, eu falo e me respondo e faço isso quase que o tempo todo. Faço isso em casa, no serviço e na rua também.
Podem achar estranho, mas eu acho isso perfeitamente normal e um modo de me ajudar de forma incrível. O fato de falar sozinho não significa que eu seja louco, na verdade, simboliza a união perfeita de duas pessoas: O meu EU Real e o meu EU Irreal.
O meu EU Real é aquele que sou eu. Aquele EU que vive o que eu vivo, que sofre na pele o que eu sofro, o meu EU Real sou eu. Aquele cheio de coisa na cabeça que nunca sabe o que fazer, aquele que todos os dias tem que pensar em várias coisas e cuja mente é tão lotada que precisa falar, sempre. Mas falar com quem?
Eis que surge o EU Irreal. Esse é o EU que não está lá fisicamente, apenas mentalmente, espiritualmente e psicologicamente, esse é o eu equilibrado de minha vida e é com ele que eu converso. O meu EU Irreal é capaz de analisar a minha situação como um todo. E quem me conhece melhor do que eu mesmo? O meu Eu Irreal.
Alguns dizem que é coisa de maluco, mas não vejo o menor problema nisso, aliás, conversar comigo mesmo já me rendeu boas risadas e vários momentos de auto-reflexão.
Se tiver alguém aí lendo esse texto, eu sugiro que fale sozinho mais vezes. É um alívio poder conversar com alguém que te entenda sem te julgar, com alguém que irá te amar não importa o que você faça. Na verdade, conversar sozinho foi o que me ensinou a ter amor próprio, algo que parece tão fácil, mas na verdade é tão difícil pra mim.
Nunca realmente me amei e até hoje tenho minhas dúvidas. Me amar não é fácil, sou chato, sou insuportável, sou fresco, sou instável, sou teimoso, sou humano. Acho que depois de tantos anos consegui adquirir um certo amor próprio suficiente para descobrir verdadeiramente o que é o amor. Não sei se o encontrei ou não, mas definitivamente descobri o que é o amor. O amor, antes de mais nada, é amar a si próprio antes de amar qualquer outra coisa, o amor é saber que você pode contar com você mesmo, pois você nunca fará o pior para si. O amor é a forma pura e lapidada do egoísmo. Sim.
Amor é ser egoísta e tudo depende do ponto de vista. Às vezes você será egoísta para consigo e às vezes será egoísta para com o próximo. Porém, não importa a forma de egoísmo, o amor é ser egoísta.
Viu só? Falar sozinho por todos esses anos me ensinou o que é o amor, coisa que nenhum grande poeta, nenhum grande escritor conseguiu fazer em anos. Talvez, você consiga entender o que é amor através desse texto, mas só vai compreender o que é o amor, quando falar consigo mesmo, pois falar consigo mesmo é ouvir o coração e debater com a razão.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Um texto sobre nada? sobre a vida? sobre cansaço? Estranho eu ou não?

Uma folha em branco me deu a ideia de escrever sobre o fato de eu não ter ideias.
Talvez escrever sobre não escrever rende algo, algo mais do que eu esperava. Eu peguei a folha em branco e esperava escrever algo magnífico, mas aparentemente, não foi bem assim. Não escrevi um texto com uma mensagem para a vida toda ou com alguma lição, esperei que fizesse isso, mas não fiz.
A vida se assemelha a esse momento, pegar uma folha branca e não saber o que escrever. Nunca sei o que fazer da minha vida. Acredito que por isso que dizem que quando fazemos as coisas no impulso elas saem quase perfeitas, mas eu prefiro algo mais planejado. Segurança talvez.
Outra coisa que me lembrou a vida foi que eu não sabia o que escrever, mas esperei escrever algo. Esperar, acredito eu, vem da palavra Esperança. Não se pode muito ter Esperança. Quer dizer, deve-se ter muita Esperança, mas não se deve esperar nada de ninguém. Pois assim como eu me decepcionei com esse texto, você também irá se decepcionar.
Ainda continuo sem saber sobre o que escrever, mesmo que já tenho chegado a metade do texto. Engraçado, lá vem a vida de novo.
Quantas vezes não começamos algo e paramos no meio do caminho? Sou campeão disso. Esse texto mesmo é um exemplo, vou parar por aqui. Cansei, estou cansado. De tudo e de nada. Apenas cansei.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Bom Dia Povo Amado,

Dizem que eu acordei, mas não é toda a verdade.
A verdade é que eu já estava acordado, já estava acordado há muito mais tempo do que vocês ousam imaginar. Só estava esperando vocês. Havia alguns homens de boa fé que já praticavam tais ações, homens que lutavam, mas lutavam sozinhos. Não mais.
Não foi o Brasil que acordou, mas o seu povo e não há povo mais forte do que o povo unido. Melhor dizendo, refraseando essa parte, não há povo mais forte do que o povo Brasileiro unido. Não aguentava mais esperar o momento em que vocês percebessem ou ao menos notassem que eu não sou apenas o lar do carnaval e do futebol, que eu não sou apenas risos e samba no pé. Eu também sou educação, sou saúde, sou um país que quer se ver livre da corrupção, sou um país que quer ver o lema de sua bandeira em ação.
Pisotearam na minha glória e sambaram em quem um dia já fui. Lembro de quando me tornaram independente, quando me tornaram uma democracia após anos de ditadura e de quando caminharam para a retirada de um presidente. Um povo que conseguiu tanto não seria capaz de ter desaparecido e eu estava certo. Vocês todos engoliram o lixo comercial e político que foram oferecidos à vocês, engoliram e ainda pediam por mais. Vocês estavam certos, o Gigante acordou, na verdade, os Gigantes acordaram. O povo se reúne nas ruas e clamam por algo.
Mas devo alertar cada um de vocês que, de fato, não se consegue tudo de uma única vez. Lembre-se que demorou quase três meses para que o presidente fosse retirado do poder e é por isso que devem ser pacientes. Não desistam e não parem de lutar, vocês são meus filhos e meus protetores, são aqueles que irão mudar o futuro.
Peço apenas para que os manifestantes que estão utilizando da violência que lembrem que um dos nossos lemas é  "Paz no futuro e glória no passado." e esse deverá ser respeitado.
Essa carta é do Brasil para o povo, para o meu povo. Uma lágrima cai pelo meu rosto tão maltratado em homenagem à vocês. O Brasil sorri em homenagem à vocês. O Brasil começa o seu árduo trabalho para se tornar Ordem e Progresso, pois Verás que um filho meu não foge à luta e que um Povo heroico me levará ao caminho Iluminado ao sol do Novo Mundo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Devaneios Estranhos sobre a Mente e o Coração.

Anseio pela poesia, assim como uma criança anseia pelo leite da mãe. Assim como o ser humano anseia pela água, eu anseio pelas minhas palavras. Uma fonte mais do que inesgotável de criação e o poesia, essa é a minha mente distorcida.
A minha mente é capaz de criar histórias tão absurdas que eu jamais ousaria colocá-las no papel, mas elas estão lá dentro, pairando, esperando o momento do brilho da coragem de escrever. Não vai acontecer, jamais. Sou um poeta covarde e um escritor careta. Minha ousadia não passa da descrição de alguém morrendo de forma cruel, meus dedos travam ao querer escrever em detalhes tudo que se passa em minha mente, histórias que jamais serão lidas ou sentidas do mesmo modo que eu as senti e as criei.
A mente de um escritor está diretamente conectada com o coração, pois uma história criada sem um coração, não é uma história. O problema é que minha mente é distorcida, ilusória, trapaceira e astuciosa. Quando minha mente se conecta com meu coração, um mundo vazio e confuso começa a se formar e eu me sinto perdido. O mundo real é triste.
O mundo em que eu crio todos os dias na minha cabeça, desaparece quando a mente se conecta ao coração e esse mundo desaparece por uma simples causa: A razão não se mistura com emoção. O real não se mistura com o irreal.
A razão é lógica e quer ter sempre razão, e quase sempre tem mesmo; é sempre um prazer trabalhar com sua mente, ela pode criar um mundo só seu, onde tudo acontece de acordo com seu humor, onde tudo acontece porque você quer que aconteça, onde você tem poder absoluto sobre a vida daquelas pessoas que foram criadas por você, mas isso não é usar o coração? Será que quando criamos esses personagens da vida real não estamos, de fato, usando nosso coração para que possamos gostar deles? Ou até mesmo odiá-los?
O coração bate, se você viver até os setenta anos, aproximadamente: 72 vezes por minuto, 100 mil vezes por dia, 38 milhões de vezes por ano e uma média total de 2,5 bilhões de vezes. A mente é capaz de produzir um número incontável de pensamentos. Tanto poder em um único corpo. Um corpo fragmentado pela dúvida, pois a dúvida é a única coisa que ocupa minha mente vazia que, na verdade, não está tão vazia assim.